Ter–dom 08:15–18:50. O slot das 08:15 é o melhor absoluto — vocês ficam praticamente sozinhos com o David por uns 15–20 minutos. A reserva é por janela de 15 min e o horário é cobrado com rigor.
Da Accademia ao Duomo são ~6 minutos. Vale um café antes dos 463 degraus — mas nada pesado.
Seg–sex 08:15–18:45. Entrada pela Porta della Mandorla (porta norte da Catedral), não pela principal. Tolerância: 5 minutos antes ou depois do horário. Fora disso, perde.
Via dei Servi 65r — literalmente ao lado da Accademia, entre o Duomo e a Piazza SS. Annunziata. 100% sem glúten, certificado AIC: 15 tipos de risoto, arancini e sobremesas, tudo à base de arroz Vialone Nano. Não existe farinha de trigo na casa.
Pela Ponte Santa Trinita (a foto do Ponte Vecchio se tira daqui). Gelato sem glúten com casquinha na Gelateria Santa Trinita, Piazza de' Frescobaldi 11/r, no pé da ponte.
Aberto todos os dias, 08:15–18:30 em setembro. Última entrada 17:30. São 45.000 m² em ladeira — 1h30 a 2h para um percurso honesto, e é subida de verdade logo na entrada.
Piazza de' Pitti 16, na saída do Boboli. Vinhos toscanos por taça de frente para a fachada do Palazzo Pitti.
Do Boboli são ~8 minutos a pé. A praça começa a encher por volta das 20:00 e mantém o clima até as 23:00: estudantes e moradores sentados nos degraus da basílica, mesas dos bares sob as árvores, música. É a praça mais de florentino e menos de turista do centro.
Piazza del Carmine 4R, ~7 min de Santo Spirito. 100% sem glúten, certificado AIC, vegetariana criativa e muito bem avaliada. Serve só jantar de segunda a sábado — exatamente o que vocês precisam hoje. Reservem.
O bloco de mármore de Carrara de 5,17 m ficou 40 anos abandonado no pátio da Ópera do Duomo, conhecido como "Il Gigante". Agostino di Duccio começou a esculpi-lo em 1464 e desistiu; Antonio Rossellino tentou depois e também desistiu — o bloco estava estreito demais, mal-desbastado e com uma veia frágil. Era considerado arruinado. Em 1501, Michelangelo tinha 26 anos e aceitou. Terminou em 1504.
O David não é Davi depois de derrotar Golias. É o momento anterior ao combate: a funda no ombro, a pedra na mão direita, a testa franzida, as veias do braço saltadas, a pupila em forma de coração. É tensão, não triunfo. E não era arte decorativa: era propaganda política republicana — o pequeno derrotando o gigante era Florença desafiando Roma, Milão e os Médici. Michelangelo posicionou o olhar do David fixo na direção de Roma.
Levar o David do pátio da Ópera até a Piazza della Signoria, em 1504, exigiu 4 dias e 40 homens — a estátua foi suspensa em cordas dentro de uma armação de madeira e arrastada sobre troncos. Na inauguração, foi coberta com uma guirlanda de folhas de cobre na virilha, para não escandalizar. Ficou na praça até 1873, quando foi para a Accademia — depois de séculos de chuva, poluição e de um banco atirado numa revolta em 1527 que quebrou seu braço esquerdo. Os pedaços foram recolhidos por dois garotos, um deles Giorgio Vasari.
Os quatro escravos inacabados foram esculpidos por volta de 1519–1534 para o gigantesco e nunca concluído túmulo do Papa Júlio II. As marcas de cinzel deixadas à vista, a figura meio dissolvida na pedra, expressam exatamente o tema michelangelesco: o esforço da figura para se libertar do peso da matéria. Se é escolha deliberada ou abandono por circunstância é debate aberto há séculos — mas os efeitos de luz sobre o mármore bruto sugerem fortemente que ele soube usar isso.
O concurso foi anunciado em 1418 e os dois finalistas eram velhos rivais: Ghiberti já tinha derrotado Brunelleschi no concurso das portas do Batistério, em 1401. A comissão, sem coragem de escolher, nomeou os dois juntos. Brunelleschi então simplesmente se ausentou do canteiro — a obra emperrou, ficou evidente que Ghiberti não sabia como continuar, e ele foi dispensado. Detalhe delicioso: Ghiberti perdeu a cúpula, mas na subida vocês passam rente aos vitrais do tamburo desenhados por ele. Ele está lá dentro dela.
Por volta de 1475, o astrônomo Paolo dal Pozzo Toscanelli instalou um gnômon dentro da cúpula: uma placa de bronze com um furo, no alto da lanterna, que projeta um disco de luz solar no chão da catedral no solstício de verão. Servia para medir com precisão a duração do ano e a inclinação do eixo da Terra. Foi o maior gnômon do mundo por séculos — e ainda funciona. Toscanelli, aliás, foi quem forneceu a Colombo os cálculos (errados) que o convenceram de que dava para chegar à Ásia navegando para oeste.